Na noite de 27 de março, o Hotel Praia Mar Centro, em Fortaleza (CE), sediou a abertura do XVI Encontro Nordeste da Fenajud, reunindo lideranças sindicais de diversas regiões do país. A mesa solene foi composta pelos coordenadores-gerais da Federação, Eduardo Mendonça Couto (SERJUSMIG-MG), Elisângela da Silva Paula (SINTJAM-AM) e Alexandre Lima Santos (SINDJUSTIÇA-RN), o coordenador da Região Nordeste da Fenajud, Aluciano Martins (Serjal), do Coordenador de Política Sindical e Relações Internacionais, Roberto Eudes Fontenele Magalhães (Sindjustiça-CE) e Ivone do Nascimento do Sindjustiça-Ce representando o sindicato anfitrião do encontro. O evento marcou o início de debates estratégicos sobre a valorização da categoria e o fortalecimento das relações institucionais entre os servidores e as administrações dos tribunais.
Durante sua intervenção, o coordenador-geral Eduardo Couto detalhou a visita institucional ao presidente do TJCE, desembargador Heráclito Vieira, onde a Fenajud apresentou uma pauta nacional focada em mudanças estruturais na cultura administrativa do Judiciário. Eduardo destacou a urgência da criação de mesas permanentes de negociação e a necessidade de participação ativa dos sindicatos na elaboração dos orçamentos dos tribunais, garantindo maior transparência e construção coletiva nas decisões que impactam a categoria. No âmbito local, o dirigente reforçou o apoio à proposta do Sindjustiça-CE para a padronização das inter-referências das carreiras, visando corrigir distorções e promover isonomia na evolução funcional dos servidores cearenses.
Ainda em sua fala, Eduardo Couto enfatizou a luta pela implementação do “Descongela”, movimento que busca a revisão dos efeitos do congelamento de direitos ocorrido durante a pandemia. A Fenajud defende que, assim como já ocorre em diversos tribunais que avançaram no recálculo e pagamento desses valores, a medida seja adotada de forma ampla em todo o país como forma de reparar a injustiça contra trabalhadores que não interromperam suas atividades no período de crise.
Complementando a análise política, Alexandre Lima ressaltou a importância da consciência de classe e da solidariedade, alertando para os impactos das políticas de austeridade e defendendo que o Judiciário encaminhe projetos de lei para reverter as perdas inflacionárias e administrativas impostas aos servidores nos últimos anos.












Palestra de abertura discute programa para o Brasil
Dando continuidade às atividades, o professor Fábio Sobral ministrou a palestra “Eleições 2026: um programa para o Brasil”, na qual defendeu a urgência de um projeto nacional de desenvolvimento soberano. Em sua análise econômica, Sobral criticou duramente a política de juros elevados, que, segundo ele, drena os recursos da economia nacional e impede o crescimento do país ao privilegiar o setor financeiro em detrimento das políticas sociais e produtivas. O palestrante enfatizou que a retomada do protagonismo brasileiro passa, obrigatoriamente, por uma gestão estratégica das reservas do Tesouro Nacional, direcionando-as para áreas que garantam autonomia e sustentabilidade a longo prazo.
Um dos pilares centrais da exposição foi a necessidade de investimentos massivos em ciência e tecnologia. Fábio Sobral alertou para a vulnerabilidade do país ao depender de tecnologias e satélites estrangeiros, defendendo que a soberania nacional depende da capacidade brasileira de produzir conhecimento e infraestrutura própria. Além disso, o professor destacou a produção cultural nacional como um ativo estratégico para a identidade e economia do país. Ao final, ele reforçou que o debate para 2026 deve ser pautado por um programa que rompa com a dependência externa e invista no potencial criativo e científico do povo brasileiro.