Entidade acredita que estímulo ao teletrabalho baseado na realidade de uma pandemia, sem considerar as variantes, pode ser danoso aos interesses da categoria
Durante o processo de isolamento social por conta da pandemia do Covid-19 (novo coronavírus), o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) está realizando uma pesquisa sobre o teletrabalho.
Segundo o Coordenador de Imprensa e Divulgação do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Ceará (SindJustiça Ceará), Iderlandio Morais, a pesquisa pede respostas binárias (sim/não) e não considera a complexidade das variantes possíveis durante um cenário adverso, como o que estamos vivenciando em situação de confinamento.
A direção do Sindjustiça Ceará não é contraria a realização de pesquisa, mas questiona o momento social em que se encontram os servidores, alguns inclusive que entraram em contato com a entidade buscando orientações de atendimento psicológico, devido ao momento de tensão em que vive a sociedade brasileira.
A pesquisa neste cenário pode criar uma falsa imagem da realidade do teletrabalho e suas consequências, conforme acredita o Coordenador Geral do sindicato, Roberto Eudes Fontenele. Para o dirigente, existe um risco que a partir da pesquisa a relação de trabalho estabelecida em condições adversas seja mantida após o fim da pandemia.
Fontenele também enfatiza que a discussão do teletrabalho deve ser antecedida com um debate com os servidores, através de sua entidade representativa, assim como também a sociedade e outras entidades interessadas.
A coordenação do sindicato também destaca a falta de legislação para a realização do teletrabalho que observe, inclusive, a concessão dos equipamentos e da estrutura necessária que atenda as normativas da saúde dos servidores. “O sindicato tem acompanhado de que muitos servidores estão usando equipamentos emprestados, assim como condições que não são adequadas, Não podemos usar um momento tumultuado, em que os servidores estão fazendo sacrifícios para a justiça estadual não parar, para ficar sonhando em economizar com as instalações judiciarias”, relata Fontenele.
“Desta forma, avaliamos que pesquisas como essas devem ser realizadas em tempos normais e precedidas de debates e não em meio a uma situação extraordinária como a que vivemos, razão pela qual conclamamos a categoria a reivindicarmos juntos o debate sobre o teletrabalho nos moldes aqui propostos, sem prejuízo de pesquisa futura”. Conclama o coordenador geral.
A coordenação do sindicato, portanto, declara que responder a pesquisa nesse período não é o ideal e pede apoio da categoria a entidade sindical nas reivindicações por melhores condições para o teletrabalho enquanto durar essa condição considerada excepcional.
Ceará – 1.017 mortos – Contaminados 15.243 mortos
O coordenador geral do SindJustiça, Roberto Eudes Fontenele, também denuncia que o TJCE não está divulgando o número de contaminados e mortos na categoria o que facilitaria a rede de apoio e solidariedade entre os servidores. Além da percepção sobre orientações e cuidados para a não disseminação do vírus Covid-19, mas lançou a pesquisa que para ” basear fechamentos de fóruns e desmontar a estrutura do judiciário cearense, enquanto recebemos pelos familiares e amigos as notícias destas perdas, neste sábado nos despedimos de uma companheira e o que vemos é a insensibilidade do tribunal”.