O SindJustiça Ceará realizou, na tarde desta sexta-feira, 29 de agosto, a primeira reunião do Coletivo de Negros e Negras do sindicato. O coletivo foi criado com o objetivo de abrir espaço para que servidores negros e pardos possam dialogar sobre a luta antirracista, aprender mais sobre os direitos e planejar ações contra o racismo dentro do Judiciário estadual cearense e nacional.
A reunião, realizada de forma virtual, foi conduzida pelo coordenador-geral do SindJustiça Ceará, Roberto Eudes, e contou com a participação do coordenador-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (Fenajud), Alexandre Santos, que falou da iniciativa da Federação que está incentivando a criação de coletivos em todos os estados.
A Fenajud também irá realizar o II Encontro Nacional do Coletivo de Negras e Negros da Federação, nos dias 25 a 27 de setembro, no Rio de Janeiro (RJ), com o tema “Fortalecendo Coletivos, Articulando Lutas: Classe, Raça e Gênero no Judiciário”. O encontro reunirá lideranças sindicais, intelectuais, ativistas e representantes do movimento negro de várias regiões do país para debater o racismo institucional no sistema de Justiça, articular estratégias de enfrentamento e fortalecer os coletivos de negras e negros nos sindicatos.
Como encaminhamento da primeira reunião do Coletivo de Negros e Negras do SindJustiça Ceará, foram definidos dois importantes passos: a escolha de representantes para participarem do encontro nacional da Fenajud, em setembro, e a criação de um grupo de WhatsApp para fortalecer a comunicação.
Esses espaços serão fundamentais para ampliar o debate sobre a luta antirracista no Judiciário, promover a troca de experiências e incentivar a participação de mais servidores negros. A iniciativa busca não apenas estimular o engajamento, mas também consolidar uma rede de apoio e mobilização em defesa da igualdade racial e da valorização da diversidade.
Uma nova reunião já está agendada para o próximo mês. Neste primeiro encontro, participaram os servidores Lusiran de Matos (Sefin), Mércia Cardoso (Esmec), Dilermando Andrade (Comarca Aracati), Tarcísio de Oliveira (SeJud Crajubar), Antônio Sena (Comarca Farias Brito), Onésio Serra (4° Gabinete da 5ª Câmara) e Claudiana Miranda (Distribuição TJCE).
Para o auxiliar judiciário Dilermando Andrade, o Coletivo de Negros e Negras será importante para que, “através dos nossos debates, nossas falas, da criação de opinião, a gente possa construir uma sociedade mais inclusiva, justa e igualitária.”
Dilermando também irá participar do Encontro da Fenajud e comenta que essa é a oportunidade de “buscar conhecimento e compartilhá-lo com os colegas do Judiciário local e com a sociedade em geral”. Para ele, o evento trará uma pauta que merece atenção, “pois nós poderemos nos organizar melhor para avançar, cobrar respeito e mais oportunidades enquanto negros.”
Já a auxiliar judiciária Mércia Cardoso, que também faz parte da Comissão de Política Judiciária pela Equidade Racial do TJCE, destacou que já existe toda uma discussão sobre o tema da discriminação racial, cotas e a importância de julgamentos com perspectiva racial e de gênero no âmbito do Tribunal e CNJ. Por isso, considera essencial tornar essa pauta ainda mais visível através do SindJustiça.
Para a servidora, a partir dos estudos e pesquisas sobre o tema, o Coletivo poderá propor algumas mudanças ao TJCE: “A gente pode, com a força da Comissão pela Equidade Racial, propor algumas melhorias para os servidores.”
