Medidas eleitoreiras de Bolsonaro se tornam obstáculos para a recuperação do mercado de trabalho, aponta pesquisa do DIEESE
“A inação de um governo mais preocupado em agradar as bases políticas do que em dar respostas concretas para os problemas da população”. Esta é, junto com a inflação em alta, a principal dificuldade interna que o mercado de trabalho brasileiro enfrenta para se recuperar da crise dos últimos anos. É o que aponta recente pesquisa do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), publicada no final de abril.
As centenas de milhares de mortes por Covid-19, no Brasil, e as consequências da guerra na Ucrânia para a economia internacional são outros fatores que fazem o mercado de trabalho apenas dar sinais de recuperação. Além disso, as vagas de trabalho que estão surgindo vêm das contratações de trabalhadores sem proteção trabalhista ou previdenciária. Em 2021, 34 milhões de brasileiros, ou seja, 35% dos trabalhadores do país, já trabalhavam sem garantias trabalhistas.
Os servidores públicos também sentem as consequências da gestão desastrosa de Bolsonaro. De acordo com levantamento do INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos), é grande o impacto do “desfinanciamento de políticas públicas” no Brasil. O estudo – que analisou os gastos do governo federal nos três anos do governo Bolsonaro – avalia que o declínio econômico aconteceu por causa da “redução de investimentos em serviços públicos e por uma gestão centrada em ajustes fiscais”.
Em meio a isso, o poder de compra dos brasileiros vem reduzindo à medida que a inflação aumenta e os salários dos trabalhadores perdem valor a cada mês. A queda é agravada pela alta nos preços da cesta básica cujos produtos subiram ainda mais do que a inflação geral. Os trabalhadores sofrem, ainda, com a dificuldade nas negociações de reajustes salariais que deveriam compensar a inflação.
Segundo o DIEESE, os reajustes abaixo da inflação cresceram de 23,7%, em 2019, para 47,3%, em 2021. Somente 15,6% alcançaram ganhos reais no último ano. Em 2022, os salários deveriam ter sido reajustados em 11,7% para compensar as perdas inflacionárias dos 12 meses anteriores. O que não ocorreu nem para trabalhadores da iniciativa privada e nem do serviço público. Os servidores do Judiciário cearense, por exemplo, receberam neste ano reajuste salarial de 10,74%. Já para os servidores federais, a previsão é de que o aumento seja de 5%.
