Várias comarcas possuem até 95% de ações ainda não digitalizadas e a categoria está sendo obrigada a se arriscar para poder trabalhar
Não bastasse os servidores estarem comprando ou utilizando equipamentos pessoais e aumentando suas despesas domésticas devido ao teletrabalho, o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Ceará (SindJustiça Ceará) também recebeu queixas de servidores de diversas comarcas do estado que estão se arriscando indo aos fóruns para trabalhar no local ou buscar processos físicos para realizar o home office.
Isso está ocorrendo principalmente porque várias comarcas do Ceará possuem, em grande parte, o seu acervo no formato físico dos cadernos processuais, dificultando o home office, o que sujeita o servidor a ir ao fórum para trabalhar ou, mesmo pegar os autos para realizar o trabalho em casa. Tem cidades, como Uruburetama, em que 95% dos processos ainda não foram digitalizados, segundo informações apuradas pelo sindicato.
Alguns servidores estão tendo que cumprir a sua jornada diária de trabalho na própria comarca por não ter a estrutura necessária para o teletrabalho.
Essas denúncias foram recebidas pelos diretores do sindicato principalmente através das reuniões virtuais (através de videoconferência) que a entidade está realizando com servidores das várias regiões do estado. Segundo o Coordenador-geral do sindicato, Roberto Eudes Fontenele, muitos servidores estão preocupados de ter uma perda significativa na Gratificação por Alcance de Metas (GAM) se não fizerem o seu trabalho e, por isso, estão se arriscando indo aos fóruns. “Os servidores ficam com receio da GAM despencar, porque não tem como fazer home office de processo físico”.
Uma das reclamações recebidas foi de uma servidora que se mostrou bastante aflita e com medo de contaminação ao ser obrigada a descumprir as ordens de isolamento social por estar indo todos os dias ao fórum buscar processos físicos para que ela possa trabalhar.
De acordo com o Coordenador de Imprensa e Divulgação do SindJustiça Ceará, Iderlandio Morais, tem servidor pegando até 150 processos para levar para casa. “Processos complicados, de réu preso. O pessoal está andando com esses processos, o que se torna ainda mais perigoso”, comenta.
Em uma das últimas reuniões realizadas pelo sindicato com a categoria, com servidores de Jaguaribe e Quixere, foi possível perceber que três estavam no mesmo local participando da reunião.
Segundo Fontenele, o SindJustiça Ceará irá avaliar com a sua assessoria jurídica a legalidade ou não de os servidores estarem se expondo ao ir às comarcas constantemente para pegar processos, desobedecendo o decreto estadual de isolamento social.