TRIBUNAL DE JUSTIÇA, ONDE ESTÁ A SUA HUMANIDADE CONOSCO?

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Todos os dias, TODOS, eu me levanto, agradeço pela minha família e por ser Oficial de Justiça, pedindo à assistência divina segurança, sabedoria e sensibilidade para cumprir meus mandados em uma das capitais mais violentas do mundo!… E SIM, os mandados são MEUS, pois dedico-me integralmente no cumprimento efetivo de cada um deles.

Sinto-me imensamente feliz em ser o Judiciário na RUA, junto ao POVO, levando um pouco de paz e justiça social àqueles que foram simplesmente excluídos e esquecidos pelo poder público, materializando em suas vidas a justiça do processo.

Você se engana ao pensar que ser oficial de justiça é apenas citar, intimar, prender, penhorar, conduzir e apreender… nosso trabalho verdadeiramente é estar próximo ao jurisdicionado, auxiliando, orientando, agindo concretamente para o estabelecimento da justiça de maneira respeitosa e dignificante.

Diariamente escutamos a história de vida das pessoas, em sua grande maioria, seres humanos humildes, marginalizados e que nos veem como esperança de soluções ao desabafar seus problemas. E lá estamos nós, exercendo competentemente nossas atribuições, mantendo a paciência e a sensibilidade com os problemas que nos chegam, dando uma palavra de apoio, orientando sobre os direitos, indicando os caminhos legais, estimulando a crença na Justiça ou apenas ouvindo caridosamente as aflições.

Nossos gabinetes são as ruas enlameadas dos becos e favelas, nossos assessores são gente do povo, nosso material de trabalho é a empatia e o senso de justiça. Presenciamos os problemas humanos in loco, onde eles acontecem, por isso precisamos de sensibilidade, dedicação e paz de espírito para melhor exercer nossa profissão. Somos malabaristas da vida diária, equilibrando de um lado a estrita legalidade e do outro a sensibilidade para concretizar a “lei” nas vidas humanas.

Insensível e incompreensivelmente, aquele que deveria nos amparar e proteger, o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, além de não nos fornecer estrutura física adequada de trabalho, por meio de atos injustos recentes, ainda ameaça diretamente a estrutura emocional de que tanto precisamos para melhor exercer nosso mister.

Em lugar de nos fortalecer pelo menos emocionalmente, o Tribunal de Justiça ameaça seus representantes de rua, nós Oficiais de Justiça, com a possibilidade unilateral de remoção para cidades distantes de nossas famílias, de nossos filhos e de toda nossa vida.
Nós, Oficiais de Justiça, passamos a sofrer a ameaça de sermos simplesmente despejados dos nossos locais de trabalho, arrancados brutalmente da cidade em que temos uma vida e separados de nossos filhos, filhas, esposas, maridos, mães, pais e tantas outras pessoas queridas.

O Tribunal de Justiça utiliza toda sua força contra seus próprios colaboradores, utilizando apenas o argumento de “a bem do serviço público”, mas esquece o bem do serviço público quando não dá posse a concursados aprovados em concurso público para vagas criadas por ele mesmo e disponíveis atualmente, tornando-se incoerente e ressaltando um nefasto abuso contra aqueles que dão vida à instituição judiciária, seus servidores.

Tenho grande orgulho de ser Oficial de Justiça e quero carregar esse sentimento por toda minha vida pessoal e profissional, mas ultimamente isso vem sendo abalado, não consigo mais sequer dormir como antes, minha capacidade de empatia e de ajuda me está sendo tirada, minha fé na justiça foi abalada, justamente por quem deveria defendê-la.

Desejo ardentemente que minhas humildes e esperançosas palavras sejam não só ouvidas mas especialmente sentidas por meus patrões:

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO CEARÁ, MINHA ALMA CLAMA POR PAZ, MEU CORAÇÃO VIBRA POR FÉ, MINHA ESSÊNCIA ESPERA SENSIBILIDADE, JUSTIÇA E AMPARO PARA EXERCER MEU TRABALHO FIRMEMENTE…

Não somos uma impressora ou mesa, não somos uma coisa para ser jogado de uma cidade para outra… NÓS TEMOS UMA VIDA! OUTRAS VIDAS DEPENDEM DE NÓS! SOMOS A HUMANIDADE DO JUDICIÁRIO JUNTO A SOCIEDADE… TRIBUNAL DE JUSTIÇA ONDE ESTÁ A SUA HUMANIDADE CONOSCO?

Esse texto foi escrito por um oficial de justiça mas reflete o sentimento de todos os 700 oficiais de justiça do estado do Ceará.

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