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03.Mar.2016 |
De que lado você está?
Por Paulinho Oliveira



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O momento que o Brasil vive não permite rodeios.


Está muito claro o que se encontra no lado direito do muro que separa os privilegiados e os oprimidos de sempre. Muito poder, muita riqueza, muita ostentação que podem fazer brilhar as retinas de quem é mais fraco de personalidade.


Do lado esquerdo, muita desilusão, inclusive de pessoas que, até bem pouco tempo, estavam do outro lado, de panelas na mão. Nada de prédios bem acabados, nada de poder, nada de riqueza. Só um acumulado de trabalhadores sem rumo, desamparados, amargurados.


Quem recebe seus milhares de reais todos os meses não conhece a dor de quem sofre para ganhar míseros ordenados, mediante jornadas escravizantes de trabalho - o que se agravará ainda mais com a terceirização sem limites aprovada pelo rolo compressor golpista no Congresso e sancionada pelo golpista-mor, o Temeroso. Quem passa às vezes poucas horas do dia em seus bem refrigerados gabinetes, ocupando-se em assinar o serviço de seus subordinados e nada mais, não sabe o que é pegar ônibus lotado para voltar para casa e encontrar um filho querendo atenção, querendo colo, querendo comida.


Os poderosos de sempre têm as armas de sempre: os conchavos, o dinheiro, a imprensa subserviente. Eles têm a comunicação e o marketing, a estrutura para iludir e a disposição renovada para ludibriar.


Nós, os trabalhadores, só possuímos uma arma, e ela não exige dinheiro, poder, influência ou Rede Globo. Esta arma atende pelo nome de GREVE.


A greve é o instrumento que a classe trabalhadora possui para pressionar o poder patronal, o poder político. É a melhor e mais eficaz maneira de se fazer ver pelos principais meios de comunicação - aqueles mesmos sempre subservientes ao poder constituído. É a única forma de fazer uma voz de descontentamento se converter em milhares pedindo, a uma só voz, respeito, salário, justiça social.


As centrais sindicais brasileiras estão articulando a Greve Geral para o próximo dia 28 de abril. Daqui até lá, necessário é que passemos a refletir sobre nosso papel diante da série de retrocessos levados a cabo pelos poderosos de sempre, que assaltaram o poder em 2016, que vêm rasgando a Constituição, que mandam às favas os escrúpulos.


É correto ficarmos em silêncio enquanto vemos nossos direitos de aposentadoria serem ameaçados?


Ficaremos calados diante da diminuição dos programas sociais que amparam os mais pobres?


Aceitaremos, passivos, o desmonte da educação pública - já tão sucateada?


Nada falaremos ante reajustes salariais abaixo da inflação e das perdas acumuladas por anos e anos?


Deixaremos os poderosos criar cargos comissionados de roldão, enquanto quem ralou por dias, meses, anos, para passar em concurso não vê as portas do emprego se abrirem?


Assistiremos a revogação da Lei Áurea e a proliferação de subempregos, mal remunerados e pagos com muita exploração, sob o nome de terceirização, sem dizer um pio de protesto?


Veremos de camarote a venda do Brasil aos estrangeiros, a preço vil, sem qualquer contrapartida para a população?


E enquanto tudo isso acontece, em tempo recorde e diante de nossos olhos, continuaremos maldizendo as greves, os movimentos sociais, os partidos de esquerda, as frentes populares, enquanto nossos verdadeiros inimigos lesa-pátria arruínam nossas vidas?


Quando é que enxergaremos que, unidos, somos muito mais fortes que essa camarilha de ladrões?


GREVE NELES, MINHA GENTE!!!


(Artigo também publicado no portal Sem Barreiras.)

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